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Vítima da arrogância

Posted on Saturday, June 20, 2009 in Futebol

Sou corinthiano, isso não tem jeito; mesmo. Mas gosto sobretudo do bom futebol. E gostava do time que o São Paulo havia armado sob o comando de Muricy Ramalho.

 Apesar de seu mal-humor nas entrevistas e de uma certa arrogância, em parte inerente ao clube que representava e em parte inerente ao cargo que ocupava, gostava de seu trabalho. Há que se pensar que foram 3 títulos brasileiros seguidos, e justamente nos 3 últimos campeonatos. Não é um feito fácil tendo-se em vista um campeonato longo, que dura o ano inteiro, sendo que no meio do ano há geralmente uma “evasão” dos melhores jogadores para times da Europa; ofertas milionárias do bom e velho-’velho continente’ em um mundo que não perdeu o hábito de dividir nações em empregadoras e empregadas.

Além disso deve-se ressaltar também que o São Paulo deste último triênio também não apresentou nenhum craque, nenhum jogador de grande destaque que fizesse a diferença em campo. Excluindo-se Rogério Ceni, que merece mais destaque pela fidelidade ao clube do que pela técnica (acho-o um goleiro bom, mas não excepcional; um bom líder), não houve nenhum jogador insubstituível nestes três anos.

Levando-se isso em conta, podemos considerar que Muricy foi o verdadeiro astro deste time. Com todos estes empecilhos, fez o time tricolor emplacar três títulos brasileiros seguidos. Apesar das eliminações na Copa Libertadores, não foram campanhas medíocres. Simplesmente trombou com times que contavam com um elenco muito mais bem preparado e com muito mais jogadores de destaque do que ele.

Apesar deste histórico positivo, Muricy foi pra rua. Como se fosse uma certa ‘obrigação’ o time do São Paulo, tri-campeão mundial, depois de ter acesso a uma Libertadores ter que ganhá-la. Na época do bi só mencionar Rai já justificaria o sucesso. Quem seria o Rai de hoje no São Paulo? E no futebol brasileiro, quem faz sombra ao antigo meio-campista da seleção brasileira? Mesmo assim o time já não poderá mais contar com seu trabalho, infelizmente.

A empáfia da diretoria do São Paulo (ou mesmo do próprio treinador, se foi opção dele mesmo em se retirar do clube, o que é difícil…) acabou com o trabalho de um ótimo profissional. O pensamento arrogante de que o time não pode tolerar qualquer derrota (ainda mais com o atual elenco) colocou Ramalho na rua.

Reportagem do Terra

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