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02/10/2008
Depressão: o que você precisa saber

Tristeza, solidão, angústia, depressão passaram a ser termos corriqueiros do dia-a-dia. As grandes metrópoles envolvendo conglomerados populacionais e a conseqüente frieza nos relacionamentos interpessoais, associada à violência decorrente desses grandes centros urbanos, faz com que a depressão esteja cada vez mais “na moda”. Quem nunca ouviu falar do Prozac?

Neste tópico você encontrará sobre a depressão:  Alguns dados  /  História  /  Causas  /  Tenho depressão?  /  Tratamento e prognóstico  /  Links  /  Curiosidades


Alguns dados…

A depressão tem sido um problema cada vez mais comum na população geral hoje, principalmente na população das grandes cidades. Acredita-se que a depressão é mais comum em mulheres, sendo que a freqüência deste problema nelas é 2 vezes maior do que nos homens. Cerca de 15% das mulheres tem pelo menos um episódio depressivo ao longo de suas vidas; alguns estudos avaliam que este número pode chegar até a 25%. Nos homens os números variam de 6 a 20%, dependendo do estudo.

Além de afetar mais mulheres do que homens, ela é mais comum em pessoas acima de 40 anos, solteiras ou separadas. Não há correlação entre situação socio-econômica e prevalência da doença, ou seja, tanto pessoas em boa situação financeira como aquelas com situação mais delicada podem ser atingidas por este mal.

É importante frisar que tais dados são apenas estatísticas, números; deve-se ter em mente que qualquer pessoa está susceptível ao distúrbio.
 

História
Apesar de estar sendo abordada com muito mais ênfase apenas após o surgimento da psiquiatria, por volta do final do século XIX, a depressão é muito antiga. Textos seculares trazem descrições de quadros depressivos na antigüidade; o antigo testamento transcreve um quadro depressivo que teria ocorrido com o Rei Saul. O suicídio de Ajax, na Ilíada de Homero, foi decorrente de um quadro depressivo. Hipócrates já usava em sua época termos como “melancolia” e “mania” para descrever distúrbios mentais.

Há muitos outros relatos de quadros depressivos ao longo de toda a História, portanto, apesar de ter recebido diversos outros nomes antigamente, o que hoje se chama de depressão já existia há milhares de anos.

Causas
As causas da depressão é sempre um tema polêmico. Diversas teorias já foram propostas, desde as mais orgânicas até as mais psicológicas, ambientais.

Fatores genéticos: é certo que há um componente genético importante, já que vários estudos mostraram esse fato; estudos clássicos são aqueles que envolvem gêmeos e a grande concordância de depressão entre eles, quando esta ocorre. Ou seja, se a chance de um dos gêmeos ter depressão for alta, a do outro será bastante alta também, mostrando que há uma forte base genética no distúrbio. É sempre importante informar ao seu profissional de saúde mental sobre casos de depressão ou outro distúrbio psiquiátrico na família.

Fatores biológicos: além de desregulagens em neurotransmissores (substâncias cruciais para a condução de informações no sistema nervoso central), acredita-se que hormônios como os da tireóide, de crescimento e os do eixo adrenal tenham implicações na depressão. Hoje em dia muito tem se falado da serotonina como sendo um hormônio cujo desbalanço pode gerar depressão. Muitas medicações anti-depressivas agem tendo como alvo no cérebro esta substância.

Fatores psico-sociais: acontecimentos vitais trágicos e estressores ambientais são componentes importantes. Acredita-se que o evento biográfico mais associado à depressão na vida adulta é a perda de um dos pais antes dos 11 anos de idade. Estruturas familiares delicadas também são responsáveis por uma predisposição ao transtorno.

Apesar de se saber que todas essas características predispõem à depressão, teorias afirmam que qualquer tipo de pessoa, qualquer tipo de personalidade, está vulnerável a ao distúrbio.

Linhas modernas de pensamento acreditam que o quadro depressivo desenvolve-se quando a somatória de todos esses fatores atingem um determinado limiar, isto é; quando a genética individual, os fatores biológicos da pessoa e sua história/biografia contribuem todas para o desenvolvimento da depressão. Cada depressão em cada indivíduo terá mais ou menos contribuição de cada um dos três fatores.
 

Tenho depressão?
Especialistas no mundo inteiro desenvolveram um sistema de critérios para o diagnóstico de depressão, baseado em sinais e sintomas apresentados pela pessoa; esses critérios estão incluídos no DSM-IV, um manual internacional para guiar o médico no diagnóstico.

Os critérios para episódio depressivo maior são os que se seguem abaixo; 5 deles devem estar presentes durante pelo menos 2 semanas para que seja feito o diagnóstico:
1. Humor deprimido na grande maioria dos dias, durante grande parte dos dias;
2. Interesse ou prazer nas atividades diárias diminuído na grande maioria dos dias, durante grande parte dos dias;
3. perda ou ganho de peso (variação maior de 5% do peso), ou alteração significativa do peso, sem que esteja fazendo dieta;
4. alterações do sono diárias;
5. agitação ou lentificação motora;
6. fadiga ou perda de energia diárias;
7. sensação de inutilidade ou culpa excessiva quase diariamente;
8. capacidade diminuída de pensar, de se concentrar, indecisão quase diários;
9. pensamentos recorrentes sobre morte, idéias de suicídio.

É muito importante que;
I.
em havendo alguma dúvida sobre o diagnóstico de depressão, você procure um psiquiatra para que este profissional possa orientá-lo ou ajudá-lo.
II. há diversos tipos de depressão; acima são colocados os critérios apenas para episódio depressivo maior. Se você acha que está deprimido, mesmo que não preencha os critérios, é de suma importância que você procure um especialista para sanar sua dúvida.
 
Tratamento e prognóstico
O tratamento é feito com medicações antidepressivas, principalmente. O uso de benzodiazepínicos pode ser feito também, assim como o de estabilizadores de humor. A escolha do tratamento ideal, do tempo de uso de medicação e de outras medidas complementares depende do perfil da pessoa e da depressão. O psiquiatra é o profissional mais indicado para a avaliação de todo esse conjunto.

A psicoterapia é bastante recomendável no tratamento da depressão, para que o contribuidor biográfico do distúrbio seja abordado (problemas de relacionamento familiar, problemas no serviço, insatisfações, etc).

O prognóstico depende da pessoa que está em tratamento e depende do tipo de depressão, do número de episódios que ocorreram, entre outros fatores. Carga genética, biografia, doenças físicas e outras inúmeras questões influenciam no tratamento. As pessoas sem tratamento tendem a ter episódios depressivos mais longos e com maior freqüência; ou seja, sem tratamento, a depressão tende a se cronificar.
 
Links
Teste online (em inglês) de auto-avaliação para sintomas depressivos:
http://www.prozac.com/common_pages/self_assessment.jsp
 
 
Curiosidades:
- Você sabia que há um tipo de depressão crônica na qual os episódios surgem com as estações do ano? Pessoas que só se deprimem no inverno, por exemplo. É a depressão sazonal. Pensa-se que há relação com a foto-estimulação solar e a secreção de hormônios.
- Há um tipo de depressão mais amena, com menos sintomas, porém mais constante, que surje no início da vida adulta. É a distimia; geralmente são pessoas irritadiças, que se avaliam como “mal-humoradas crônicas”. Tem ótima resposta à medicação anti-depressiva.

 

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